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Mães mais que [im]perfeitas

|| Desafio || O meu parto... A bebé vaidosa

Sou mulher , sou guerreira...
Aquela que nunca tomba
pelas armadilhas da dor...
Sou guerreira, sou mulher...
com coragem e certeza,
vou descobrindo meu valor...

Irma Jardim

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 Olá hoje temos uma história da Cristina, mais conhecida pela Osa também ela veio aqui contar-nos a experiêcia dela

 

A bebé estava toda enrolada no cordão umbilical

 

 

Eu a cerca de um mês do parto já sabia que iria ter uma cesariana. A miúda sentou-se e não “arredou pé” até a irem lá buscar, literalmente! No dia 13 ou 14 de Outubro marcamos o dia. Dia 30 de Outubro de 2015 seria o dia mais feliz da minha vida (a não ser que algo antecipasse).

Pronto, assim foi, no dia 30 de Outubro eu tinha que estar no hospital às 8:00 da matina e lá estive. Eu fui seguida pelo meu médico de família que pertence ao distrito de Braga, mas a minha área de residência atual pertence ao distrito de Aveiro, por isso “caí tipo de para-quedas” no Hospital em Aveiro. Sendo esta situação excecional, tive que dar entrada nas urgências, como de uma urgência se tratasse e depois era encaminhada para a maternidade. Com isto andei um pouco “desamparada” e esfomeada, já que estava em jejum desde as 22:00 do dia anterior. Lembro-me de estar sentada nas urgências, já passado mais de meia hora da hora marcada e vejo uma enfermeira da maternidade a perguntar por mim. Expliquei-lhe a situação e ela disse que ia tratar das coisas para eu dar entrada. Já passava das 9:00 quando me levaram para a maternidade, para a cama que seria minha nos próximos 3 dias, pelo menos. Colocaram-me a soro e disseram-me que tinha dado entrada uma grávida de urgência, por isso eu teria que aguardar, mas agora já estava deitadinha e monitorizada, para saber se eu e a bebé estávamos bem. Passadas 2 horas tinha sido outra urgência e ainda mais outra…eu só sonhava com comida ou até um chá…ai que fome que eu passei!!! Ele também passou alguma, com receio que me chamassem nem descia para comer. Até que a enfermeira nos disse que estávamos com “azar” porque iam fazer uma quarta cesariana de urgência…SÉRIO?????? Foi só nesse dia ou há sempre assim tanta cesariana de urgência!!?!? Eu não estava mal, a bebé também não, não tinha dores, mas a ansiedade começava a ser cada vez maior e a FOME, ai meu deus, a FOME que eu tinha… Eram 5 horas e finalmente fez-se LUZ, vi aquela enfermeira carinhosa a sorrir e a dizer as palavras mágicas, CHEGOU A SUA VEZ!

Nem queríamos acreditar, mas o medo e a felicidade invadiram o nosso olhar…era um misto de sentimentos, posso sentir tudo outra vez ao me lembrar. Na altura ainda não deixavam o Pai assistir, por isso custou-me despedir d’Ele antes de atravessar a porta que me levaria ao bloco. Entro e estava lá a equipa a preparar tudo para me receberem. Eram só mulheres, bem novinhas e muito bem dispostas. Falaram de tudo e sempre que não percebia alguma coisa, repetiam tudo de novo. Era chegada a hora de “subir o pano” e lembro-me de sentir um enjoo tão grande que só tive tempo de dizer e a anestesista que estava ao meu lado, virou-me a cara para o meu lado esquerdo e só passou disso, uma vontade. Lembro-me de ouvir um barulho diferente, parecia que tinha entrado mais gente e de repente senti uma espécie de frio ao fundo da barriga e tudo começou. Elas falavam entre si e o meu plano de visão era a anestesista a olhar por cima do pano e ver tudo o que se passava, e ia fazendo o relato tanto quanto possível. Lembro-me de ouvir uns “Eh lá, ui ui” e a anestesista diz “ duas??” eu lembro-me de arregalar os olhos e perguntar “Duas o quê doutora”, ela sorriu e diz “ duas voltas ao pescoço, ou pensava que seriam duas crianças”, confesso que pensei sim!!! A bebé estava toda enrolada no cordão umbilical, elas até a chamaram de “vaidosa” porque tinha “duas pulseiras e dois colares”. Confesso que fiquei um bocado preocupada quando me explicaram o  que significava dois colares, são duas voltas ao pescoço do cordão umbilical. Mas a bebé estava bem, pelos vistos, já a ouvia a chorar, eram 17:20 quando nasceu, mas não a vi, levaram-na logo para a vestir porque com as voltas e mais voltas passou muito tempo e precisava ser aquecida. Foi estranho, saber que ela já tinha nascido, mas eu não a via…a anestesista foi impecável e ia me sempre tranquilizando dizendo que estavam a fazer sinais que estava tudo ok. Enquanto isso iam me “limpando por dentro”, senti tipo um aspirador e isso sim, custou e muito, até perguntei se era normal! Foi quando percebi que seria a placenta a sair…credo que sensação horrorosa. Foi o pior que senti no bloco, confesso, porque dores, népia! Também passei por um momento “típico” de filme, quando oiço alguém dizer: “Só tenho 9 compressas” e de repente sinto que tudo parou, as mãos que me estavam a “fechar” pararam e senti o ar a gelar…foram só segundos, mas não consigo esquecer aquele suspense, até que uma voz ao fundo se fez ouvir “foi uma com a bebé” e o ritmo voltou ao normal com o mesma rapidez que parou. Mas que foi uma autêntica cena de filme/série lá isso foi.

Passado um tempinho, lá apareceu a bebé mais maravilhosa, mas com o olhar franzido do tipo: “ A sério, é esta a mulher que vou chamar de mãe?”  Nunca mais me esquecerei daquele olho franzido!!!

Não, não chorei, como tantas vezes imaginei, aliás tanta coisa que imaginámos e depois é tudo diferente.

Foi o momento mais feliz da minha vida, sem dúvida.

Com este sentimento novo senti uma descarga de adrenalina tão grande que comecei a tremer sem parar. Fui coberta com mantas e mais mantas, mas não conseguia parar de tremer. Saí do bloco a tremer como nunca tremi, era tão estranho, até a voz era trémula. A bebé foi levada ao colo por uma enfermeira e quando atravessamos a porta em direção aos quartos, vi o Pai a dirigir-se para a filha (reconheceu-a pelo gorro), eu vinha deitada na cama, mais atrás.

Fomos para o recobro e aí sim, senti uma dor que até hoje me aterroriza. A apalpação na barriga para perceberem se o “útero estava a ir ao sitio”(não sei o termo clinico). Credo, que medo. Primeiro foi a enfermeira, eu agarrei-lhe a mão e tirei-a, ela não achou muita piada…mas lá me desculpei. O pior foi quando ela me disse que tinha chamar a doutora para ver e repetir aquela tortura…sim aquela apalpação ainda me traz pesadelos!!!

Sei que já vai longo o texto, mas quero agradecer a oportunidade, pois sempre gosto de “reviver” o momento mais feliz da minha vida!“

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  Daqui fala a Osa, mas qual delas... 

Neste caso...as duas Osa e Osinha na fit(eza).

Que caminhem sempre assim lado a lado no bom momentos e nos momentos de exercicio fisico . Obrigada Osa pelo testemunho.

|| Desafio || O meu parto... Força de Viver

Guerreira é aquela mulher que não desiste na primeira barreira
Nem na segunda
Nem na terceira...

Angel Mancio

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 Mais uma sexta-feira e hoje temos a nossa segunda história real de um parto no qual a nossa mamã Mariana esteve entre a vida e a morte.

Aqui fica o relato real de mais um milagre!

 

 Conforme me mostraram e me deixaram dar um beijinho, levaram-na de mim

Olá mamãs, 


Vou começar a contar o meu parto, estava previsto a L. nascer a 5 outubro, mas como o parto tinha que ser de cesariana, no dia 15 setembro ia ser agendado para dia 30 setembro.
Quando pelas 23h do dia 12 me rebentaram as águas, lá fomos nós para o hospital, foi logo levada, o Dr. de serviço estava a ver se me aguentava até 8h da manhã do dia seguinte para não ter chamar de emergência as várias equipas que seriam necessárias estarem presentes na minha cesariana (complicações de coluna e não podia ser entubada), mas pelas 5:30, fez me toque e disse que não podíamos aguardar mais ou bebé nascia/sofria, lá chamou de urgência as equipas, fui levada para o bloco...às 6:26 nascia a minha L.
Conforme me mostraram e me deixaram dar um beijinho, levaram-na de mim e disseram-me que estava haver um problema "ali em baixo ", (só fiquei com a imagem daqueles grandes olhos olharem para mim que pareciam duas amêndoas!) ouço gritos a chamar o médico mais experiente, que conforme chegou começou aos gritos com as Dras. "assim não chegam lá, tiravam tudo para fora, esta perder sangue de mais, vamos perder a mãe...agarrem a mãe, induzam lhe o coma ou perdemos a mãe!!!"
Quando a anestesista me veio dizer que me tinham de por a dormir um bocadinho, para resolver o problema, conforme acaba dizer isso, não me lembro de mais nada!...
Acordaram me ao fim de 3 dias, estava eu no SO, assim que "vim a mim" lembrei-me de que tinha tido uma bebé, e comecei a perguntar por ela...só sosseguei quando me transferiram para o pé dela.
Resumindo, ao abrirem me devido a placas de endometriose agarradas a uma veia, ao mexer rompeu e não conseguiam chegar à veia para laquear, tiveram que tirar útero, intestinos, etc para fora para laquear veia, ao fazê lo tinha mais placas que rasgaram os intestinos, tiveram que chamar outros especialistas, que cortaram parte intestino, estive 5h no bloco a tentarem me salvar a vida, levei 5 unidades de sangue...isto tudo com meu marido na sala espera sem saber o que se passava...a não ser que não sabiam se a mãe ia sobreviver!
Foi chamada de mãe milagre! Fiquei no hospital mais 22 dias e levei mas 4 unidades sangue.
Felizmente quase 6 anos depois, cá estou eu para contar a história e com a minha mais que tudo!
No parto ia morrendo por ela, e hoje se necessário morro por ela!

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 Um muito obrigada à Mariana pela partilha e que a vida traga tudo de bom a esta linda família!

A minha experiência numa sala de partos

O parto é, sem dúvida, aquilo que as mulheres mais temem. Sobretudo, quando é o primeiro filho. Temem o desconhecido, essencialmente, mas também temem a dor. 

Pessoalmente, sempre apregoei a altos ventos que nunca iria querer epidural. Porque mimimi e a dor não seria como partir uma perna e mimimi sou resistente à dor e mimimi era algo porque queria passar e vários outros mimimis. 

Isto manteve-se até ser a única pessoa a levantar a mãozinha na formação de epidural promovida pelo Hospital de Gaia. Disse-me a senhora anestesista, fitando-me longamente: "Estou a memorizar o seu rosto. Caso seja eu a estar de plantão no seu parto, já sei que posso ir tomar um cafezinho." Ri-me com ela, claro, e saí de lá convencida que de facto não vale o sofrimento e que mais valia levar com a agulhona no lombo. 

Mas, avancemos que vocês têm mais o que fazer. 

Lembro-me perfeitamente de ter acordado na madrugada de 3 de dezembro, com uma pontada aguda nas costas. Não que fosse incomodativa, ou lancinante, foi mesmo só o suficiente para me acordar, virar para o outro lado e voltar a adormecer. 

Nessa manhã tinha consulta de termo, o CTG não acusou grandes contrações e ainda tive que enfardar um docinho para obrigar o puto a mexer-se. No gabinete, as mãos engenhosas de senhora doutora detetaram 3/4 dedos de dilatação, deu um jeitinho (palavras da própria) desejou-me bom almoço e despediu-se com um "até logo".

Almocei sossegadita, na companhia de senhora minha tia, umas pataniscas absolutamente divinais. Contrações: 0.

Por volta do meio da tarde, comecei efetivamente a ficar incomodada, com a dormência que sentia. E dormência é mesmo o termo, não eram dores agudas, era só uma moinha que ia e vinha. Liguei ao homem, que a coisa já dava para contar os minutos de intervalo (15) e combinamos ir ao hospital quando chegasse. Dei um jeito à casa, estendi e apanhei roupa, fiz o jantar. Ainda insisti para o homem jantar, mas ele insistiu em irmos diretos para  o hospital. 

Entrei nas urgências às 19:45, pelo meu próprio pé, sem dores de maior a não ser uma pontada nas costas. Estava muito bem de pé, a caminhar então nem se fala, mas mesmo bem era agachada. Senhora enfermeira da triagem disse serem contrações posteriores, daí a dor nas costas, e que portanto seria um parto mais demorado. 

Resignei-me à minha sina e fui recambiada para o CTG, que me custou horrores por ter que estar sentada, que acusou trabalho de parto. 

No gabinete, com uma médica e um estagiário, calhou-me ser o jovem aspirante a obstetra a fazer o "toque". 

Revela ele:

- Tem nove centímetros de dilatação, há só aqui blá blá blá.

Oi? Nove?! Como assim nove?! Este gajo não está a ver isto bem! Alguém que chame o seu supervisor para lhe ensinar a ver isto direito. 

- Desculpe, eu não quero parecer arrogante, mas não quer chamar alguém com mais experiência? Eu não posso ter nove de dilatação, não tenho dores para isso. 

Nesse preciso momento, entra em cna a médica que acompanhava, com ar de quem tinha efetivamente mais experiência, fazendo-me a vontade e revendo a dilatação. 

- É um facto, tem nove centimentros de dilatção. Mas não lhe doi, é?

- Não é não doer, é só ser suportável. Claro que nesta posição sinto mais, mas a caminhar estou muito bem. 

Gargalhadas por parte dos sôdotores, chamadas para o bloco de partos que ia subir uma utente quase em fase de expulsão e pedido de cadeira de rodas. 

- Não é para mim, pois não? 

- É pois, não vai a caminhar para cima. 

- Vou pois.Se já caminhei até aqui, caminho mais um bocadinho. 

- E se lhe rebentam as águas? 

- Dou uma corridinha num instante. 

Ainda insistiram naquilo mais um bocadinho, mas eu bati na mesma tecla e venci pela escassez de tempo. 

Já no bloco, a coisa foi muito mais rápida: ainda eu estava a pôr um pé dentro e já me perguntavam porque ainda estava vestida. 

E a epidural, perguntam vocês? 

Pois que a pedi. Não que, como já referi, sentisse demasiada dor, mas pelo receio de que a coisa piorasse, eu me desconcentrasse da respiração e tivesse meia dúzia de piripaques nervosos. Não daria jeito nenhum naquela hora. Consegui aguentar quieta o tempo necessário à colocação do cateter - não perguntem como, surtiu grande admiração por parte dos médicos assistentes. 

Posso afiançar que não surtiu grande efeito: senti com bastante realismo o golpe da tesoura. 

De modos que foi um parto relâmpago e com pouquíssima dor. Pela parte que me toca, digo-vos: não custa mesmo nada. Já fiz coisas mais dolorosas, como burpees, por exemplo. 

 

Header original da Mula com ilustrações de Inslee Haynes e Emily Donald

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