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Mães mais que [im]perfeitas

Os meus partos... Pela Fatia: #1

Como sabem, sou um bolinho que se fatia muito! Portanto, só à minha parte tenho três experiências de parto para partilhar convosco.

Não é que eu ache que contar estas experiências sirva de muito! Aliás, sempre considerei um abuso o tentarem impingir-me histórias terríficas sobre partos enquanto estive grávida. Se na primeira gravidez, as descrições me deixavam em pânico, na última confesso que me divertiam como se estivesse a ver um filme de terror de baixo orçamento e pouca qualidade. 

No entanto, as minhas experiências foram, em média, boas! Mas já lá vamos...

Nestas coisas, nada como começar pelo primeiro, não é verdade?

 

Durante a gravidez da Fatia#1 tive contracções desde as 20 semanas. Às 36 semanas cheguei a estar internada com o que se veio a revelar um falso trabalho de parto. Porém, no dia 31 de Julho tudo mudou! 

Acordei pela hora normal, com as contracções como tinha sentido até então. Estava de 39 semanas e 2 dias e era o meu primeiro dia de férias. Fui tomar banho e decidi ir beber um café com a minha mãe ao centro comercial que ficava a 2 minutos da minha casa. Nesse dia, decidimos ir a pé porque íamos só mesmo dar uma volta.

Assim que lá chego, notei que havia qualquer coisa de diferente nas contracções.

 

(Adianto já, em jeito de spoiler, que senti sempre o mesmo em todos os partos, apesar de não saber explicar bem o que é que muda)

 

Tomamos café e fui vigiando as contracções, que continuavam completamente irregulares e de intensidade variável. Mas a sensação estava lá. Resolvi voltar para casa e ligar ao Fatiasmén para vir almoçar a casa. 

Almoçamos (seria uma romântica se ainda me lembrasse do que fora a ementa, mas só tenho ideia de serem restos do jantar do dia anterior) e saímos para o Hospital.

Entrámos, fizemos a admissão e subi para a maternidade. 

 

Fui chamada para a triagem. Fizeram-me o CTG que acusava contracções irregulares. Outro falso alarme, pensei eu para os meus botões. Entretanto, sou chamada pela médica para fazer o toque e ver o estado do colo do útero. E aqui processou-se algo que, se fosse hoje, não teria ocorrido. A médica achou, na sua sapiência, que deveria fazer-me um descolamento das membranas. Fê-lo sem me avisar, sem me perguntar se queria ou se sequer se podia. 

Rapidamente as dores aumentaram, as contracções tornaram-se regulares e estava em trabalho de parto activo. No fim, a médica ainda teve a ousadia de me dizer que lhe devia agradecer, que agora já estava em trabalho de parto.

Ainda meio abananada das dores, fui levada pela enfermeira para me colocarem o cateter no braço. Mais uma vez, sem me informarem, colocaram-me oxitocina. 

Em menos de 5 minutos as contracções eram regularíssimas, fortíssimas e seguidíssimas. A enfermeira tentou consolar-me, mandou-me para o bloco de partos e começou a aventura!

Deviam ser umas 16h, eu já estava com 2 para 3 dedos de dilatação e a sofrer horrores. 

 

Quando vi aparecer o anestesista na sala de partos, pensei que estava a ver Deus na Terra! Oh Santa Epidural... Adormeceu-me as dores, a barriga e as pernas. Passado um pouco, já não sentia nada... E que maravilha!

Deu para dormir, rir, conversarmos. O meu marido acabou por ir jantar por volta das 20h e voltar com toda a tranquilidade. Quando a dose terminava, vinham e colocavam outra no difusor. 

 À meia noite troca o turno... e eu ainda lá estou... 4 dedos! No turno, entra uma ex-colega minha de secundário! Que alegria ver uma cara conhecida, naquele momento. 

Veio ver-me por volta da uma da manhã... 4 dedos! Mas as águas já tinham rebentado. Diz-me ela, já cá volto que isto parece que ainda está demorado

 

Comecei então a sentir uma dor na perna esquerda, que até então estava totalmente dormente. Não pensei muito no assunto... Não sentia contracções nenhumas, não sentia a barriga, nem me apercebi de nada.

Quando a minha amiga entra no quarto para me fazer o toque novamente, já a Fatia#1 estava a coroar!

Vai nascer! Faz força Fatia! Faz força na contracção!

- Mas qual contracção?

A epidural, demasiado eficaz, não me ajudou neste momento. Não sentia nada, não sabia quando fazer força... aliás nem conseguia fazer força.

Com a ajuda das enfermeiras, das auxiliares, da médica interna, tudo pendurado em cima de mim, lá conseguimos fazer com a miúda saísse a voar daqui para fora!

 

Eram quase duas da manhã e finalmente a Fatia#1 tinha nascido. 

 

Precisei apenas de levar alguns pontos, nada de especial, e tudo superficial. 

 

Ao fim de algumas horas, quando o efeito da analgesia começou a passar, comecei a sentir umas dores horrorosas. Não obstante, os mamilos já estarem em sangue, sempre que a miúda ia à mama, eu quase que desmaiava com dores. Pensei o pior... Chamei as enfermeiras e descobri que afinal eram apenas dores tortas!

A involução do útero à sua dimensão normal, pelos vistos, não é sentido pela maioria das mulheres no seu primeiro parto... Claro que a fava tinha que me calhar a mim ou não fosse eu um bolinho, não é verdade?

 

E assim foi... A minha primeira experiência de parto! Cerca de 12h de trabalho de parto para nascer a minha (primeira) princesa!

 

(to be continued - ahahahah)

 

Pai [im]perfeito - O pai da Matilde

A nossa rubrica some e segue, desta vez o meu convidado é o autor do blog O pai da Matilde  e a princesa tem agora 4 anos.

Desde já muito obrigada pelo teu testemunho 

 

1. O que é para ti a paternidade?

A paternidade para mim é uma partilha e uma aprendizagem constantes com uma pessoa que depende de nós e que temos a responsabilidade e o dever de educar e amar.

 

2. Como te caracterizas como pai?

Penso que posso afirmar que sou um pai atencioso, carinhoso, presente e paciente.

 

3. Enquanto pai de uma menina de 4 anos, qual o maior desafio até hoje?

Os desafios são diários e os maiores estão sempre relacionados com a segurança da Matilde a todos os níveis: a nível de saúde, físico e emocional. O desafio é tentar sempre ser o melhor pai possível e tomar as melhores decisões, espero que as decisões que vou tomando sejam as melhores e que ela se sinta feliz.

 

4. Quais as lições mais importantes que retiras destes 4 anos com a Matilde?

A lição mais importante está relacionada com a confirmação de que o amor incondicional existe.

 

5. Quais os teus maiores receios enquanto pai/homem?

Os meus receios estão relacionados com os meus desafios e os receios maiores são com a segurança afetiva, física e emocional da Matilde. Espero que ela se torne um ser humano independente, carinhoso, bom e feliz, e acima de tudo, que eu a ajude a delinear o seu caminho. Digo-lhe muitas vezes que ela pode ser aquilo que quiser, e que vou estar sempre ao seu lado para me assegurar que ela consegue.

 

6. Qual consideras a tua maior qualidade e o teu maior defeito enquanto pai?

Pergunta difícil e talvez eu não seja a pessoa indicada para a responder. Mas talvez seja o facto de ser um pai presente, às vezes até demasiado ,segundo a mãe, que gostava que ela fosse mais menina da mamã. :)

 

7. No teu blog tens a seguinte frase "A história do teu nascimento foi uma história difícil" posso perguntar porquê?

Porque foi uma gravidez de risco com as implicações que a mesma enceta.

 

8. No dia em que a tua esposa te disse "Estou grávida" - como recordas esse dia e como te foi dada a notícia?

Lembro-me perfeitamente desse dia e foi uma felicidade tremenda, quando recebes essa notícia muda logo algo em ti. Como fazíamos sempre o teste em conjunto soubemos ao mesmo tempo. Nunca perdi umas análises, uma consulta, uma ecografia, estive sempre presente em todos os momentos, quer da gravidez, quer após a Matilde ter nascido.

 

9. O dia do nascimento da Matilde (tendo em conta que assististe à cesariana) como foi e como descreves a experiência?

Foi mágico, no blog explico o que senti e o porquê de considerar o melhor dia da minha vida.

 

10. Ser pai é...

A melhor coisa que existe.

DSC06172.JPG

Header original da Mula com ilustrações de Inslee Haynes e Emily Donald

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