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Mães mais que [im]perfeitas

Mães (Im)Perfeitas - A mãe dos PP's

A nossa convidada de hoje é A Mãe dos PP's . Uma simpatia de mãe que rapidamente aceitou o meu convite em cima do joelho. =) Ora atentem nesta deliciosa conversa: 

 

Tenho 32 anos e sou alentejana. Vivi no "meu" alentejo até aos 25 anos, idade com a qual casei e por motivos profissionais do meu marido, vim morar para o centro do país.
Fui mãe pela primeira vez aos 28  anos e pela segunda vez aos 30 anos.
O meu primeiro filho (Pedro) tem agora 3 anos e o meu segundo filhote (Paulo) tem 15 meses. 
Luto todos os dias na tentativa de lhes dar o melhor de mim, a minha atenção, o meu amor e educá-los para que sejam bons seres humanos.
Enquanto mãe, tenho imensos defeitos, quebro facilmente ao primeiro choro, ao ver os olhos deles embargados, sou facilmente desarmada por eles. Sou distraída e muitas vezes vou pela minha intuição de mãe, em vez de seguir as instruções da pediatra (ups... não devia dizer isto =) )
O Pedro é uma criança muito doce e perspicaz, gosta muito de dar miminhos, mas quando quer é um terrorista cá em casa. O Paulo é muito mexido, não gosta muito de beijinhos e adora comer =) 

 

Mãe, conta-nos aqui: o que tens aprendido nisto da maternidade?

Aprendi a conhece- me melhor enquanto ser humano, isto é, os meus filhos trouxeram uma parte de mim que ainda não conhecia, sou mais sensível do que pensava, sou mais forte também, ganhei medo de morrer com receio de não estar cá para eles, tenho medo de falhar com eles. Ganhei uma capacidade incrível de ignorar opiniões que não interessam, consigo contornar aquelas situações de "os teus filhos já deviam fazer, os teus filhos já fazem isto, os meus já conseguem fazer isto e aquilo..."
Há muito tempo que percebi que cada criança é diferente e tem o seu próprio tempo. Evidente, que com o primeiro filho fui  mais apreensiva com o receio de ser má mãe, com o segundo filho, sou muito mais despachada e menos receosa. O amor por eles é igual, a experiência é que é diferente. Acho que cuido melhor de dois, do que cuidava quando só tinha o Pedro =) . Aprendo com eles todos os dias e tento rir-me com eles todos os dias. É importante rir e ensinar a rir das nossas fragilidades.

É algo que também me esforço por transmitir ao meu pequenito: a facilidade de rir de rir de si mesmo... Como gostavas que os teus filhos te recordassem?

Como alguém que se ria muito de si mesma, das suas fragilidades e fraquezas. Que apesar de todos os medos lutou sempre sem deitar a toalha ao chão. Gostava que eles tivessem a certeza de que estaria disposta a dar a minha vida por eles se preciso fosse e que quando chorei foi pela minha incapacidade de lhes tirar a dor e foi por medo de que algo menos bom lhes acontecesse. Porque, infelizmente, nós, mães não conseguimos controlar tudo.
Gostava que me procurassem, quando e enquanto pais, sentirem medo disto ou daquilo, gostava de dizer-lhes que tudo faz parte do processo de aprendizagem enquanto pais. 
Gostava ainda que soubessem que os fazia rir todos os dias ainda que por um qualquer motivo, estivesse destruída por dentro.

Somos um nadita parecidas nesta coisa de rir sobre si mesma. :)

As birras são muito comuns e o talvez aquilo que os pais mais temem. como reages quando elas surgem?

O meu filho mais novo ainda não faz grandes birras e quando está mais rabugento consigo controlar facilmente. O Pedro é muito teimoso, quando estamos em público, ignoro o "espalhafato" e tento explicar-lhe que se está a portal mal. Nunca tive nenhuma birra grave, felizmente.

Queres destacar alguma coisa gira ou recente?

Sim. O Pedro é muito tímido, mas tem uma relação muito gira com uma menina da sala dele. São inseparáveis e andam sempre juntos. Curiosamente, sinto-me tranquila quando estão juntos, sinto que,sendo , a menina um pouco mais velha, que o protege. Isso tranquiliza-me.
O Paulo é muito mexido e quando o irmao chega a casa estende os braços para que o mano o apanhe. Acho muito bonito esta relação entre eles.


Na maternidade há sempre momentos especiais e que nos marcam, qual foi o teu?

Quando o meu primeiro filho Pedro, aos 20 meses, disse o alfabeto. Fiquei perplexa. O Pedro começou a falar muito cedo e a andar muito tarde. Desenvolveu um vocabulário excelente, mas é um trapalhão a andar e a correr.

Tive um susto com o Paulo, quando tinha dois meses. A pediatra disse-me que o Paulo tinha um sopro no coração. Felizmente, com o crescimento, esse sopro desapareceu. 

Algum segredo para a gestão do tempo?

Quando engravidei do Pedro estava a trabalhar em part-time e na altura em conversa com o meu marido, concluímos que seria benéfico ficar em casa uns tempinhos com o bebé. Entretanto, o tempo passou e pensámos ter outro filho (Paulo). O Pedro já está no Jardim de infância mas o Paulo ainda está comigo em casa. Embora me levante muito cedo, para ter o meu espaço e fazer as minhas coisas, consigo gerir o tempo de modo a tratar da casa, dar atenção a um e a outro e algum tempo para o maridinho também.
Sinto muita necessidade de voltar ao trabalho, estou a pensar voltar ao mercado de trabalho este ano, em Setembro, quando também, o Paulo for para a cresce.

Que conselho darias a futuros pais? 

Todos os pais aprenderão por si mesmos a serem pais do seu filho. O que quero dizer é que existe um tempo de habituação à nova rotina e a cada membro da família, incluindo o bebé. Quando se conhece o nosso bebé é mais fácil gerir a rotina e controlar os medos de cada um.
Acima de tudo não tenham medo de serem pais. Errar é inevitável mas com amor tudo se ultrapassa.

Alguma vez te arrependeste de uma decisão/opção?​​​​​​​

Sim. O meu filho Pedro é muito tímido. Penso que o deveria ter metido na cresce aos dois anos e não aos três. Ás vezes, dou por mim a pensar que de tanto lhe querer bem, o prejudiquei a nível de socialização com outras crianças. Embora ele brincasse imenso, o jardim de infância é mais benéfico nesse sentido.

Para terminar, peço-te que definas a maternidade numa só palavra e expliques a opção.

Mundo. A maternidade é um mundo. Há um sem fim de sentimentos, de aprendizagens e emoções. Há um sem fim de medos e receios, mas apesar de tudo isto, sempre que tenho os meus filhos nos braços, tenho a certeza que neles carrego o mundo. O meu mundo.

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