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Mães mais que [im]perfeitas

Mães (Im)Perfeitas - A Cátia

Não tenho muito jeito para estas coisas das apresentações. Confesso que é sempre o que mais me custa porque fico sempre sem saber se disse pouco ou se falei demais. De qualquer forma tentarei fazer uma coisa mais ou menos composta.
Chamo-me Cátia Madeira, tenho 33 anos e sou mãe do Ricardo, de 22 meses. Uma espécie de terrorista tupperware's com menos de 1 metro e cabelo rebelde. A minha mãe diria que somos uns despenteados incuráveis. Mas a moda actual diz que apenas temos caracóis rebeldes. Partilhamos o mesmo feitio tinhoso, o cabelo descontrolado, os olhos grandes e escuros e a cara (às vezes demasiado) expressiva.
 
 
Cátia, conta-nos, além de ainda não saberes domar cabelos (piadinha fácil;) o que tens aprendido nisto da maternidade?

Ui, podia estar aqui até vir a mulher da fava rica, como diria o meu pai. Tanta coisa. Às vezes penso que tudo. Fez-me reavaliar o mundo como o conhecia, ser mais tolerante com os outros. Fez-me, ainda que à força e nem sempre, aprender a ser mais tolerante comigo. Sou uma espécie de control freak, e a maternidade, coisa que para mim ainda é recente, tem-me ensinado que para minha própria sanidade mental tenho de tentar ser mais descontraída e aceitar algumas coisas da vida como são.
Mas não é só isto. Aprendi, naquele primeiro momento em que nos vimos que é possível amar de uma forma que não tem explicação, não é racional. É algo que vem das entranhas do meu ser. Um amor que tem uma força avassaladora. Para o bem, quando tudo corre bem, e para o mal, se há algum desvio menos bom.
 
Ao olhares para o futuro, como esperas que o teu filho te recorde?
 
Como uma boa mãe....é isso...uma boa mãe. Quero que o meu filho olhe para trás e pense, é pá, aquela tola que me amava de uma forma tão intensa era/é uma boa mãe.
E se não fosse pedir muito que tenha orgulho na mãe que tem.
 
As birras são muito comuns e o talvez aquilo que os pais mais temem. Como reages quando elas surgem? 
 
Bom, eu fui muito recentemente apresentada a essa senhora que dá pelo nome de D. Birra. E digo-vos que quem inventou as birras era cá um desgraçado...
Tonteiras à parte, ando a ler o livro do Dr. Mário Cordeiro "O grande livro das birras" e se por um lado fico mesmo muito assustada quando leio algumas coisas, tranquiliza-me o facto de existirem soluções. Ou aparentemente existirem soluções.
De qualquer forma, confesso que não sou de todo grande adepta da palmada. Detesto, aliás, e sei que posso engolir cada palavra que estou a proferir.
Nunca na minha vida levantei a mão a quem quer se seja, e custa-me a ideia de dar uma palmadita a este ser que amo mais que todos os outros.
De qualquer forma, às birras que têm sorrateiramente aparecido, tenho tentado abordar com calma, compreendendo que eu sei muito mais da vida que ele e que a crescida tenho de ser eu.
Acho que muitas das birras que se vivem hoje são fruto da falta de tempo que temos para os nossos filhos. Chegamos a casa e há tantas coisas para fazer que muitas vezes o que menos fazemos é estar com eles. Depois há as birras, formas de tentar moldar o mundo à sua maneira e de chamar a atenção dos que mais querem.
Por isso, respondendo à questão de forma mais objectiva, não são comuns (pelo menos para já) e eu tento manter a calma, demonstrando que não aceito determinados comportamentos e tento redireccionar a atenção dele para alguma coisa boa. (somos muito parecidos, pelo que olho para ele e penso "como é que alguém te tiraria deste mau feitio?! e vou por aí).
 
Queres destacar alguma gira ou recente?
 
A mais recente foi ter insistido em andar a subir e descer as escadas do prédio e quando eu lhe disse que não podia ser, ele insistiu que havia de fazer o que entendesse. Quando lhe peguei para o levar para casa dobrou os joelhos e ficou ali à porta de casa a reclamar. Disse-lhe "vou arranjar ali o Ghandi e a Tulipa para irem à rua, ficas aí?", levantou-se e passou-lhe.
 
Qual o momento que mais te marcou enquanto mãe?
 
A verdade é que são todos. Mas vou tentar nomear alguns. O nascimento foi algo completamente avassalador. Depois recordo com ternura o primeiro sorriso e o dia em que soube apontar para quem é a mãe.
Hoje, marcam-me todos os dias em que chego para o ir buscar e ele me abraça, acaricia a minha cara com ambas as mãos para me dar um beijo.
Comove-me sempre. E lembra-me que é por estas coisas que a vida vale a pena.
 
Algum truque super espectacular que tenhas para gerir o tempo?
 
Bom, antes de mais eu lido muito mal com a falta de tempo. Acho que os pais deviam ter mais tempo para estar com os filhos, para os ver crescer, para os criar, para estar presentes. Enfim, para serem pais. Nesse campo tenho muita pena de não viver num pais mais desenvolvido que o nosso nessa matéria. Porque é muito bonito dar palmadinhas nas costas como incentivo à natalidade, mas depois mais condições, tá quieto.
Agora que já me queixei. Como faço a gestão do meu tempo?
Bom, desde que o Ricardo nasceu que passamos a garantir que os nossos horários são cumpridos. Entramos a horas e saímos a horas. Mesmo fazendo isso estamos sempre, pelo menos 11 horas sem o ver. O dia começa cedo e o pequeno vai para os avós. Quando chegamos ao final do dia tentamos dividir as tarefas para que, ao final do dia haja sempre um pouco de tempo para estarmos todos a brincar em família.
O fim de semana é para descansar e passear. Evitamos estar fechados em casa, apenas a chuva nos demove, o frio enfrentamos com mais casacos.
Fica sempre alguma coisa por fazer. A casa não está tão arrumada como em tempos. Mas lá está, temos de fazer escolhas e para nós, tempo de qualidade com o pequeno é essencial.
 
Que conselho darias a futuros pais? 
 
Eu não gosto muito de dar conselhos porque cada um aborda as etapas da sua vida de forma diferente. Contudo, acho que diria para terem tranquilidade, deixarem as coisas acontecer, não compararem com ninguém porque cada criança é uma criança e temos de lhes dar tempo. Nos dias de hoje as crianças e os pais são alvo de grandes pressões, se já faz isto aos 6 meses, se já diz aquilo aos 18. Calma. Abrandem. Cada um a seu ritmo.
Aproveitem o tempo que têm com ele/ela, porque não volta atrás e é o melhor que levam desta vida.
 
Alguma vez te arrependeste de uma decisão/opção? 
 
Ui. Vamos entrar por aí?! ahahaha. Sou uma pessoa dada a arrependimentos. Se eu tivesse um euro por cada vez que ele não se porta da melhor forma e eu lhe faço a vontade na mesma tinha a conta bancária bem recheada. E cheira-me que em 10 anos ficava com tanto dinheiro quando o Cristiano Ronaldo.
De qualquer forma, até hoje nada de sério. Apenas estas pequenas coisas. Estou certa que no futuro poderão acontecer outras coisas. Escolas, saídas com amigos, etc. Mas lá está, temos que aceitar a lição e tentar fazer melhor a seguir.
 
- Para terminar, peço-te que definas a maternidade numa só palavra e expliques a opção.
 
Amor.
Acho que a palavra que melhor define a maternidade é o amor incondicional que temos pelos nossos filhos. É um amor sem explicação. Não existe outro igual. É insubstituível.
Acredito que não esteja a dizer nada de novo. Talvez por isso mesmo. Porque é isso que ocorre, amor.
 
 
A Cátia é autora de um blogue supimpa e que vos deve fazer parar uns minutinhos a saborea-lo. Muito obrigada, Cátia, por este bocadinho de partilha.
 

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