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Mães mais que [im]perfeitas

|| Desafio || O meu parto... O bebé milagre

No desespero e no perigo, as pessoas aprendem a acreditar no milagre. De outra forma não sobreviveriam.

Erich Remarque

 

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Que melhor maneira de começar que falando-vos da S. a bebé milagre?!

 

A nova rubrica de sexta-feira dá a conhecer às nossas leitoras as vivências de mães, pais e bebés reais - e começamos com a nossa já conhecida Gorduchita e a sua S. 

 Ouvi o seu tímido gemido e fiquei tão feliz

 

Corria o ano de 2014 quando:

 

Fui para o hospital por causa de uma perda de sangue, aterrorizada, porque estava nas 25 semanas de gestação, num sábado à tarde.
Fui internada de imediato, com indicação de repouso absoluto. Medicação para reduzir contrações (que já por ali andavam) e para ajudar ao amadurecimento dos pulmões. A coisa parecia ter acalmado e comecei a preparar-me mentalmente para uma estadia longa no hospital, em repouso.
No domingo,  final da manhã, penso eu, tudo começou a revolucionar-se. A bebé já se tinha virado, estava encaixada e pronta a sair.
Levaram-me para o bloco de partos. Mas tudo estabilizou novamente. Voltaram a levar-me para a enfermaria. 
Voltaram a levar-me, passadas umas horas, para o bloco de partos. Sempre na cama da enfermaria (para não haver movimentações desnecessárias que levassem ao parto).
Reforço da medicação para amadurecimento dos pulmões. Do que me lembro, deveria fazer 3 tomas: a 2ª cerca de 1 hora da 1ª, e a 3ª umas 6 horas depois da 2ª.
Tenho ideia que fiz a 1ª pelas 22-23h.
Uma das enfermeiras que me acompanhava, e que saiu de turno pelas 23h, achava que eu não aguentaria a bebé o suficiente para tomar a 3ª dose, que seria algures pelas 6h da manhã.

Pelas 23h, as dores das contrações começavam a ser insuportáveis (já estava medicada com analgésicos mas já não faziam grande efeito). Queixei-me. "Agora só se for epidural", disseram-me.
Seja, foi o que lhes disse. Tomei a primeira dose de epidural então pelas 23h. 

A noite foi passada o mais quieta possível, com reforços da epidural de tempos a tempos.

A tal enfermeira regressou para o turno das 8h da manhã e eu ainda lá estava. Aguentando-me (eu e a minha pequenina).

Eram 11:47 quando a minha filha nasceu, na 2ªfeira de manhã. O parto foi difícil, numa sala cheia de gente (além da parte de obstetrícia, estavam lá também profissionais da Neonatologia), mas sem o marido .
Doeu e custou, apesar da epidural (que ao fim de tantos reforços, começava a ser cada vez menos eficaz).

Por ter nascido tão cedo, tão pequenina (25 semanas, 790g, 30cm) não ma deram para a segurar. Ouvi o seu tímido gemido (e fiquei tão feliz, porque pensei que tão pequenina nem emitiria som nenhum) mas não a vi, a não ser ao fim do dia, dentro da sua incubadora, nos Cuidados Intensivos da Neonatologia.

Apesar de ter nascido o meu bem mais precioso nesse dia, aquele não foi um dia feliz.

 

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