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Mães mais que [im]perfeitas

30-08-2013 o dia mais feliz da minha vida

Já lá vão 4 anos numa linda sexta-feira de sol.

A esta hora estava eu à porta da Maternidade Alfredo da Costa com o meu marido, a minha cunhada e a minha mãe.

Estávamos todos à espera das 8:30h para abrirem a porta. 

O Francisco estava pélvico e por esse motivo teve que ser uma cesariana marcada já estava eu bastante perto das 40 semanas - e nada de sinais de parto, o puto estava a gostar do quentinho.

 

Quando finalmente a porta se abriu fui encaminhada para uma sala onde me despi (vieram confirmar se a depilação estava em ordem - tudo all right) fiz uma ultima ecografia de confirmação - pois caso ele tivesse dado a volta ainda havia a hipótese do parto normal #sóquenão lá estava ele acomodadinho e muito bem sentadinho a dormir.

Fui posta a soro e mandaram-me aguardar numa salinha ao pé da sala dos CTG's e a mim juntaram-se mais três mamãs, todas elas com indicações para cesarianas por variados motivos.

 

Houve entretanto uns atrasos e tal, a equipa que me ia assistir teve que fazer duas cesarianas de urgência e o tempo foi passando ali nós as três mais os três respectivos - nós a falar muito muito dos nervos e eles nem se ouviram.

 

Ás 11:20h finalmente veio uma enfermeira chamar a D. Ana Rita Mendes (aí é que a porca começou a torcer o rabo) e o acompanhante para a seguirem.

E lá fomos nós os dois sem dizer uma palavra atrás da auxiliar que após uma dúzia de passos nos mandou entrar numa segunda sala (desta vez cor ar de sala de espera) na qual o meu esponjo foi informado que iria aguardar até à ida para o recobro.

Beijinho aqui, não tenhas medo para ali, ah e tal vai correr tudo bem e lá ficou ele ali na sala enquanto eu fui encaminhada por umas portas automáticas para a sala de operações (sim porque é isso que é) - passei por uma zona onde depois soube que era onde faziam os testes de apgar, limpavam e vestiam os bebés enquanto a mãe estava a ser fechada (sim é assim que dizem).

 

Como estava bem e andava pelo meu próprio pé e tal, a auxiliar mandou-me subir umas escadas e sentar-me numa maca para levar a anestesia. Veio um rapaz ter comigo com um grande sorriso (muito leitoso) e disse-me:

 

- Olá tá tudo bem? Então nervosa? 

(e eu só conseguia acenar com a cabeça, a minha língua tinha desaparecido por milagre)

- Não esteja eu vou estar sempre ao seu lado, vai correr tudo bem! Quer ver o que lhe vou fazer?

(mais um aceno de cabeça afirmativo)

E ele mostrou-me um tabuleiro com agulhas, seringas, frasquinhos de anestesias e tudo o mais.

"Isto é tudo para mim??!!" pensei eu mas não me pronunciei...

- Vá agora que já viu tudo vamos lá anestesiar e tirar esse rapazão cá para fora.

Mandara-me colocar a barriga entre as pernas e agachar-me o máximo possível - mesmo sem dores é uma tarefa complicada - e lá me deram a epidural e a anestesia, colocaram o cateter no meu ombro e mandaram-me voltar a pôr-me direita.

Passados 2 ou 3 minutos o rapaz disse - Então sente-se bem? 

Disse que sim porque na realidade tirando o facto de sentir as costas pegajosas da quantidade exorbitante de betadine que tinham estava tudo OK.

- Eu vou fazer um pequenino teste para ver se a anestesia já está a fazer efeito e você diz-me o que sente.

Ele tinha um borrifador na mão e primeiro borrifou-me a coxa e eu disse "muito quente" depois a cintura "morna" conforme me borrifou um braço...a água estava fria.

- Vá agora mãe, vamos lá deitar.

Aí é que foi cómico, era eu a dar o comando às pernas para elas funcionarem e NADA nem um movimentozinho.

 

Com a ajuda de mais uma auxiliar colocara-me na mesa e prenderam-me os pulsos às grades ao que eu perguntei o porquê, o anestesista muito simpático:

- Não é que seja o seu caso mas, há mulheres que quando sentem aquilo que as medicas vão fazer (corte) têm tendência a ir com as mãos à zona e isso é muito perigoso.

 

Ok compreendi e aceitei. Ele passou o tempo todo do "Corte" à minha cabeceira a fazer-me festinhas e a falar comigo.

Quando começaram a tirar o bebé ele disse - Como a mãe se portou tão bem, quer ver o seu filho a nascer?

- CLAROOOOOO!!!

Então ele baixou o pano que estava colocado na zona da minha cintura e eu vi as duas médicas:

Uma a agarrar o bebé por uma perna e ombros e a outra com a mão dentro da minha barriga a "desencaixar" a cabeça que estava na zona das minhas costelas.

Quando o tiraram totalmente já ele vinha de goelas abertas a chorar e assim que o pousaram em cima da minha barriga fez logo um cócó e xixi para das as boas vindas ao mundo eram 11:39h com 47cm e 2,800kg

A enfermeira trouxe-o enrolado numa manta para eu lhe poder dar um beijinho e vê-lo

- Enfermeira, ele...

- Esteja descansada mãe, está tudo no sítio é perfeitinho.

E levaram-no para dentro para fazer o que tinham a fazer enquanto eu era cozida e limpa.

 

Quando saí da sala já com o meu piolho nos braços estava o meu marido no corredor entre a sala de operações e o recobro à espera - choramos os dois juntos, tira-mos umas fotos a 3 (as primeiras) e lá fui eu para o recobro dar de mamar ao meu pequeno tesouro.

IMG_1083 (2).jpg

 (Primeira foto em casa com 4 dias)

 

 

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